Contato | Newsletter

  HOME    O INSTITUTO    PROJETOS    NOTÍCIAS   ARTIGOS    EVENTOS   GALERIA DE FOTOS

Segunda-feira, 06 de setembro de 2010  

Evolução das responsabilidades sociais
Em: 15/02/2008 às 15:54h por Mauro Mendes - Presidente Sistema FIEMT

Empresas e cidadãos vêm sofrendo ajustes enormes nesses últimos 18 anos, depois da globalização. Saímos todos das nossas colônias de interesses onde tínhamos pleno domínio das situações, para a famosa aldeia global preconizada pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan, em 1969. Ele previu muito antes das comunicações mundiais instantâneas que o mundo seria uma aldeia global, onde as pessoas se comunicariam com a mesma eficiência da aldeia humana primitiva.

Aí estão a globalização e a aldeia global. Nesse bombardeio, a economia mundial precisou ajustar-se completamente e derrubar todos os métodos consagrados até então. Surgiram inovações de gestão na produção, no planejamento, no controle de custos, de qualidade e na comercialização. Nessa linha houve experiências como os dowsinzgs, a reengenharia de pessoal e as certificações ISO 9000 e 14.000, de qualidade de produção e de qualidade ambiental, por exemplo.

Foi uma fase de construção de uma nova metodologia empresarial no mundo globalizado, onde centavos nos preços de produtos ou serviços determinam negócios de grande valor. Veja-se o caso da China em relação ao resto do mundo, com seus preços baixos.

Porém, nessa evolução das metodologias, alcançaram-se novas percepções. Uma delas é a responsabilidade social das empresas, uma espécie de compensação do lucro via atividades de apoio a interesses sociais. Sejam os de natureza ambiental, educacional, de qualificação do pensamento, de cuidados com os recursos humanos próprios, de resgate social de camadas empobrecidas, até mesmo de construção de um novo pensamento econômico. De repente, o mesmo controle de qualidade que ocupou espaços crescentes no mundo empresarial, migrou para as responsabilidades sociais.

Ninguém pode negar que representam a humanização do capital, mas terminam por se esgotar na medida em que as regras sociais que regem a economia e os relacionamentos diplomáticos dos mercados provêm do Estado. Aqui, tanto a sociedade em geral quanto os empresários esbarram numa rocha inabalável: a histórica ineficiência do Estado. A globalização tem mostrado a quase absoluta incapacidade dos governos de apoiar a produção e a sociedade.

Cabe perguntar o porquê. As respostas são claras: o Estado brasileiro está politizado de 'mamano a caducano', e voltado para corporativismos classistas internos. Direito de greve apoiado sobre as impunidades dos direitos funcionais arrancados, à força, de um Congresso Nacional também corporativista. A pouca responsabilidade dos operadores políticos parlamentares e da gestão pública empurram sobre os cidadãos e sobre os meios de produção todo um custo alto, via tributária crescente, que resulta da ineficiência e do pouco compromisso com a sociedade financiadora do Estado.

Estou repetindo velhas críticas. Mas registro-as com uma finalidade bem clara, voltando-me para os setores empresariais, e lançando uma questão importante: não seria o caso de dar o passo seguinte além das responsabilidades sociais? Não vejo como ser diferente. Os empresários que já experimentaram todas as fases anteriores e multiplicaram uma economia quase colonial para uma economia globalizada, precisam dar o passo seguinte. Avançar além das responsabilidades sociais e começarem a experimentar as responsabilidades políticas.

De que forma? - perguntaria o leitor. Diria que, uma vez que alcançou a gestão eficiente em sua empresa, olhe para esse cenário incômodo da gestão política do país, do seu estado e do seu município. Visto os horrores da ineficiência e dos corporativismos, que cada um comece a aplicar nesses cenários um toque de responsabilidade social, ocupando espaços políticos. Não precisa ser só os de mandato popular. Há os de mandato institucional representativo, onde a força do conjunto produz e exerce força política.

Mas gostaria de deixar aqui neste artigo só a primeira provocação. No próximo, quero aprofundar essa questão. O momento é extremamente oportuno, quando vemos o Estado incapaz de gerenciar a si mesmo e querendo, ainda, gerir um país em franco desenvolvimento econômico.

 

 
Imprimir   Enviar por e-mail

 

INSTITUTO AÇÃO VERDE 2010 | Todos os direitos reservados
Av. Historiador Rubens de Mendonça, 4193 Bosque da Saúde, CEP 78050-000
Cuiabá/MT - Brasil Tel: 65 3611-1606 / contato@acaoverde.org.br