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Segunda-feira, 06 de setembro de 2010  

Mais do que responsabilidades sociais
Em: 28/02/2008 às 14:12h por Mauro Mendes - Presidente Sistema FIEMT

Em artigo anterior, publicado neste espaço, mostramos a evolução dos conceitos técnicos da gestão, até chegarmos ao estágio atual das responsabilidades sociais. É um estágio bem evoluído se olharmos para o passado recente, onde enxergamos profunda distância entre o capital e o trabalho que foi motivo de grandes divergências ideológicas do século passado.

O momento presente pede outra evolução: a das responsabilidades sociais para as responsabilidades políticas. O leitor deve estar se perguntando qual a diferença entre uma e outra ou, ainda, perguntando se essa evolução seria todos os cidadãos se candidatarem à política. A resposta é não. Responsabilidade política é a responsabilidade derivada da legítima cidadania.

A responsabilidade política transcende à responsabilidade social. É o estágio seguinte e implica em resultados que se apliquem ao bem comum. Nada que deixe de resultar no bem social, tem valor significativo. Basta ver hoje o conceito de desenvolvimento sustentado, que é a evolução do crescimento econômico.

Os resultados da aplicação de capital na produção já não bastam se não resultarem em transformações sociais, e ambos também não bastarão se não forem ambientalmente corretos. É uma enorme evolução em relação ao conceito de desenvolvimento dos anos 90, que estão ali, há um passo atrás dos dias de hoje.

A responsabilidade social não pode se limitar à distribuição de benesses, de cestas básicas, de bolsas de ajuda social. Isso é assistencialismo. Não produzirá impacto de médio e longo prazos se não trouxer junto transformações sociais. É importante, mas não basta! A responsabilidade política é mais ampla do que isso. Ela enxerga transformações e resultados para toda a sociedade. Seja gerar empregos, criar ambiente para investimentos, ou promover a simples justiça social.

Neste momento, no Brasil, discutir responsabilidades sociais implica obrigatoriamente em discutir a gestão pública. Num país que ainda centraliza o poder político em um círculo de poder central profundamente distante das pontas da nação, onde vivem as populações nas suas cidades, a gestão termina sendo muito mais importante do que em um país de território menor. Por isso, a gestão pública atual impacta toda a sociedade, exaure a economia e beneficia núcleos de poder, distantes das realidades do Brasil.

É importante discutir a gestão pública como elemento das responsabilidades sociais. Mas, de novo, o leitor deve estar se perguntando quem é essa tal de gestão pública. Ela é um parâmetro de hierarquia do governo federal, dos governos estaduais e dos governos municipais. Quem a exerce são os gestores públicos e os políticos.

O Brasil ainda não se conscientizou da necessidade de avaliar os gestores e os políticos que fazem ou que legislam sobre a gestão. Sem contar o papel parlamentar dos políticos de fiscalizarem a gestão do Estado executivo. A responsabilidade política é a soma dos resultados da gestão e das transformações que ela puder produzir para a coletividade, que é a produtora dos capitais de bens e de serviços que resultam em impostos, e estes financiam o sistema público chamado de Estado.

O tipo de gestor público e de operadores da política que hoje transitam pelas instâncias do Estado têm merecido julgamento severo. Na maioria absoluta das situações, o transformaram em feudo de interesses localizados, sejam financeiros, de negócios, partidários, sejam eleitorais. Quase nunca em interesses coletivos legitimamente sociais.

O assistencialismo não produz transformações. No máximo, acomoda situações transitórias de instabilidade social e econômica, mas pede ações de longo prazo para construir permanência da cidadania com dignidade. Hoje, o julgamento desse tipo de gestor ainda não alcançou todas as instâncias da sociedade porque o assistencialismo sempre mascara a realidade geral. Mas ao longo do tempo, o assistencialismo pode criar impressões e a prática da inércia social como norma de conduta.

Por tudo isso, tomo a liberdade de fazer esses registros e chamar a atenção da sociedade para o seu papel soberano de tecer a rede das responsabilidades sociais. Quem puder e quem compreender o papel social dos cidadãos, deve cobrar, julgar, avaliar e analisar gestores públicos executivos e políticos sob a luz justa da sua responsabilidade política.

 

 
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